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Terça-feira, 17/11/2020
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O poder da história

Vivo um misto de apreensão e ansiedade. A apreensão vem da época em que vivemos, dura época. Não bastasse esse vírus que está acabando com vidas, tanto aquelas que partem como aquelas que ficam, ainda teremos uma disputa política cheia de revés. Espero que um dos casos (epidemia ou eleição) não anule o outro, prestemos atenção. A ansiedade vem da minha necessidade, desde pequeno, de ir ao cinema. Claro, não o farei até que surja uma vacina funcional, mas fica a expectativa de que isso ocorra logo.

Enquanto o dia não vem, fico entre o filmes que tenho em DVD e aqueles que são exibidos nos canais de TV. Falando nisso, gostei muito do que foi exibido em Gramado esse ano, achei Todos os Mortos (Caetano Gotardo e Marco Dutra, 2020) um filme sensacional, mas King Kong em Asunción (Camilo Cavalcante, 2020) fez por merecer o prêmio. Mas em uma retrospectiva de filmes que foram exibidos em Berlim (?), Assisti Não Estou Lá, de Todd Haynes, lançado em 2007. Gosto muito de Bob Dylan, principalmente no início de sua carreira, ver o filme, com brilhante atuação de Cate Blanchett, deu mais gosto a minha admiração.

Porém, Não Estou Lá traz uma certa melancolia. Embora aparentasse uma vida sossegada, como ele mesmo disse “um homem é um sucesso se pula da cama de manhã e vai dormir à noite, e, nesse meio tempo, faz o que gosta”, a vida Dylan sempre foi uma luta, hora contra o governo e o militarismo, outras vezes contra a sociedade. O fato é que no filme de Haynes existe um existencialismo aterrador, que tenta transmitir tudo o que o cantor passou em todos seus anos de existência, desde a sua infância até sua morte. Para aqueles que prestarem mais atenção aos detalhes, é um filme pesado, Mas essencial para quem gosta de um bom filme.

Mas como o filme é bom, deixou aquela sensação de frieza, a dita melancolia. Já sem muita esperança no mundo em que vemos (novamente!) acontecer tudo aquilo a que Dylan lutava contra, decidi seguir uma dica e assisti Wiñaypacha, filme peruano dirigido por Óscar Catacora. Esse possui um valor cultural e antropológico, apresentando um casal de idosos que vivem em uma região remota dos Andes. Uma produção sensível, que se não anima por sua história, bem escrita, porém triste, nos encanta com sua beleza de cenários e cores. Os protagonistas são em suas vidas aquilo mesmo que é mostrado pela câmera e mesmo sem saber até então o que era cinema, atuam de maneira primorosa.

Em poucas horas vivi um misto de emoções. Passei de um revolucionário a um homem sossegado do campo, um astro do folk a um traidor popular. Ainda enfrentei a solidão de uma montanha isolada e vi a magia de uma cultura que, infelizmente, morre a cinco mil metros de altura.

Isso é o que faz o cinema ser tão importante na vida de tantas pessoas. Um filme pode ser usado como um meio para muitas coisas. Pode despertar esse misto de emoções, ser usado como um protesto ou despertar a curiosidade cultural e/ou social de um povo. Uma história, se bem escrita, tem esse poder e hoje em dia descobrimos que podemos vê-la em qualquer lugar, claro que a tela grande é sempre a melhor opção, e que independente da situação, sempre vamos precisar delas.

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Postado por A Lanterna Mágica
17/11/2020 às 07h00

 
Caraminholas

Caraminholas tem,
Quem cabeça tem,
Em desuso,
sem uso e,
sem ninguém.

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
2/11/2020 às 16h58

 
ETC. E TAL

Ana

de longe

me espia

do cimo da ventania.

Suas palavras

caladas

me cortam

feito navalha.

Mora nos ventos

não fala

mas seu retrato se traça

em cada nuvem que passa.

Me recrimina

a poesia

aonde afogo

os meus dias.

Do destempo

me contempla

com seus olhos de cristal.

Pergunto qual seu mistério

zangada ela não responde

e volta a me olhar de distante

com seu olhar de vitral

— Ana etc. e tal.


Ayrton Pereira da Silva

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Postado por Impressões Digitais
1/11/2020 às 16h32

 
Acalanto para a alma

Eu quero um lugar aonde haja vida,
Que os sonhos tornem-se reais,
Um refúgio de acalanto para a alma,
Recanto único no silêncio e no deslumbre.

Cristalino no sussurrar da brisa,
Na ventania que tange e deita o matagal,
Na sombra exposta pelas copas dos arbustos,
Nas águas que deslizam em seus regatos.

Um lugar para ouvir a sinfonia da passarada,
Sob a sombra, ouvir o silêncio sem pavor,
A beleza das rosas e o perfume do jasmim,
Vislumbrando tua imagem na mente transfigurada.

Do amor rompante, pela silhueta deslumbrada,
Nesse canto de recantos incontestes,
Despindo vagarosamente as tuas vestes
Num leito ilusório, teu corpo sobre flores e cetim.

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
1/11/2020 às 12h39

 
Desde que o mundo é mundo

O homem se faz corrupto,
Porque assim, não nasceu,
Em um momento oportuno,
Do caráter, ele esqueceu,
Houve uma oportunidade,
Por certo se corrompeu.

Herodes era um corrupto,
Pilatos lavou as mãos,
Barrabás o criminoso,
Também deu o seu quinhão,
O homem veio ao mundo,
E trouxe a corrupção.

Não se pode generalizar,
Pois, sempre há exceção,
A humanidade é corrupta,
Mesmo antes de Platão,
Jesus foi incorruptível,
E morreu ao lado do ladrão.

É da natureza humana,
Deus lhe deu essa tutela,
Somos parte da boiada,
Mas, não precisa estar nela,
Escolha o seu modo de sê,
Aconselho sair dessa esparrela.

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
1/11/2020 às 11h48

 
O velho suborno

A corrupção é uma praga que vem desde os primórdios da humanidade. Sugere o mesmo tempo da vida humana na terra. É um termo em voga no mundo inteiro e o Brasil não estar à margem dessa desventura humana.

A história nos mostra ao longo de seu percurso, nos vários níveis de governos, atos de subornos dos governantes, dos líderes tribais, dos líderes religiosos, dos empresários e porque não, parte da sociedade, nos seus países, suas cidades, suas tribos e suas entidades sociais.

Hoje, o “toma lá, dá cá” é parte integrante de qualquer governo no mundo. Por mais que seja combatida, a corrupção parece erva daninha, insiste e persiste em enraizar-se na sociedade, nas organizações públicas ou privadas. Sejam: na economia, na saúde, na educação, no meio ambiente, na infraestrutura, entre outras tantas áreas de atuação organizacional.

A corrupção é um ato, que comina com o esvaziamento econômico do Estado e da população em geral. Não poupa ninguém, crianças, jovens e adultos, mesmo os corruptos e corruptores.

Com o suborno vem a falência das empresas, desempregos, escassez de recursos, descréditos internos e externos, inflação e o descontrole econômico e financeiro das nações.

A corrupção existe desde que o mundo é mundo e, nele o homem habita.

Ora, se a corrupção existe desde sempre, se ela não poupa ninguém, vamos continuar corrompendo e sendo corrompidos? Claro que não. É necessário empenhar-se para estancar essa praga, que deforma a humanidade do ponto de vista ética e moral. O homem e tão somente o homem pode derrotar esse mal inerente a raça humana.

Oh! Isso é muito difícil! Sim é difícil, mas não impossível. Você está fazendo o quê para ajudar a diminuir a propagação dessa prática escabrosa? Ou você é daqueles que falam e apontam os outros, mas não olha para dentro de si mesmo, terminando por fazer o que falam e o que apontam?

Entendi. Você não procurou, mas a oportunidade apareceu, logo, “farinha pouca meu pirão primeiro”. A corrupção é da natureza humana. Mas não precisa ser corrupto ou corromper, simplesmente por sê humano.

Devemos combater o bom combate. A estrutura familiar é o começo de tudo. Vejo na formação do caráter, no aprimoramento dos valores, individuais e coletivos, de indivíduos e famílias, o alicerce para uma sociedade mais justa e menos individualista.

Dizem: “Onde passa um boi, passa uma boiada”. Mas, não necessariamente é preciso estar no meio da boiada. É uma questão de princípio interno, vontade de sê você mesmo e nunca o que a sociedade massificada lhe impõe. Os instintos primitivos podem e devem ser modificados, através, de aprendizagem, conhecimentos e adequações às boas práticas para o bem estar de todos.

Segundo a transparência internacional, em 2015, os dois países mais corruptos eram a Coreia do Norte e a Somália e os dois países menos corruptos eram a Dinamarca e a Finlândia. O Brasil estava na 76ª posição. Pergunto: é a delimitação territorial que é corrupta? Lógico que não. São seus dirigentes, seus empresários e parte da sua população vigente.

Por que há países mais e países menos corruptos? Porque esse flagelo está ligado a evolução humana, a cultura mais aprofundada, mais interiorizada. Os mais evoluídos, enxergam e primam pelo bem estar da coletividade, do todo e nunca da individualidade. Os menos evoluídos são do tipo,”Mateus, primeiro os meus”. Preciso traduzir? Lógico que não.

O suborno ou corrupção, escraviza o homem, numa das práticas mais odiosas do mundo. Mata indiretamente, corroem as bases de uma democracia, sucumbe com a saúde, com a educação, com a segurança e com o bem estar da população de qualquer nação acometida dessa lepra humana.

Fiquemos atentos a esse mal maior. A corrupção não acaba assim tão fácil, como apregoa os políticos mal informados. Falam isso apenas para esconderem seus próprios atos de corrupção, subornos, juntos aos seu asseclas. Fiquem de olho, sem omitir-se jamais, diante dos ali babás de plantão. Os países estão cheios deles e o Brasil não foge a regra.

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
1/11/2020 às 11h17

 
Normal!

Nem você, nem eu e ninguém,
Aceita esse novo normal para a vida.
Eu quero, você quer e todos querem,
A nossa normalidade perdida.
Mas onde perdemos o nosso normal?
Quão infame esse tempo doentio,
Perdemos a nossa face, o nosso sorriso,
A sensatez e o equilíbrio da alma.
Eu quero, você quer, todos nós queremos,
O normal da palavra ontem.
Ela, pois, é passado,
O tempo não nos fala do amanhã,
E mesmo assim eu grito,
Você grita e todos gritam.
E que esse grito não seja uma palavra vã.

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
7/10/2020 às 17h45

 
Os bons companheiros, 30 anos




“Quando a polícia siciliana finalmente quebrou a máfia no começo dos anos 90, prenderam alguém – esqueço o nome dele, mas era o segundo no comando – e um repórter italiano perguntou para ele se havia algum filme fiel sobre aquele mundo. E ele disse: ‘Ah, ‘Os bons companheiros’, na cena em que o cara diz ‘Você acha que eu sou engraçado?’. Porque essa é a vida que a gente leva. Você pode estar sorrindo e rindo num segundo e [estala os dedos] numa fração de segundo está numa situação em que pode perder a vida”.

Esse depoimento de Martin Scorsese é a melhor descrição e metáfora de seu filme, “Os bons companheiros” (“Goodfellas”), lançado em 1990. Um filme que se tornaria, como outros do diretor , um ícone do cinema por, dentre tantos motivos, a inventividade da linguagem e da representação.

Talvez, inventividade não seja a palavra certa. A película do diretor norte-americano é mais do que isso. Ela faz parte de um gênero e, ao mesmo tempo, o subverte; é linear, não sendo previsível; é sobre o poder, mas quem atira sempre é o instinto.



A trajetória de Henry Hill ( Ray Liotta ) de menino a homem encantado com o mundo da máfia, nos é mostrada em uma narração que parece nos trazer os elementos perfeitos de mais uma história de gangsters. Mas Scorsese não se trai.

“Pensei no filme como uma espécie de ataque” (“Conversas com Scorsese”, de Richard Schickel), diz ele. Essa fúria é a grande marca desse frenesi imagético. Scorsese quer que o espectador, como Joe Pesci (Tommy), sinta o coice da Magnum 44 romper, inesperadamente e, ao mesmo tempo, em slow motion, paralisar você. Pow! Pow!

Isso pode parecer um elogio à violência gratuita e, como nos filmes conhecidos de gangsters, transmitir uma sensação de onipotência e glamour. Mas o filme não é apenas um contraponto desse gênero. Ele é, principalmente, a ascensão e derrocada desse mundo. Não é uma tragédia, e não é uma expiação.

Aqui, o padrão não é “O poderoso chefão” , e sim o belo e, esse sim, trágico, “Inimigo público nº 1” (1931), de William A. Wellman , com a interpretação que projetou James Cagney para a glória.



Scorsese conta sobre o espanto da plateia ao exibir o filme para o elenco do seu “O aviador” (2005). O que impressiona, diz o diretor, é seu aspecto violento, mas de uma violência que mais se oculta do que se mostra.

Sob esse aspecto, “Goodfellas” seria exatamente o oposto do filme de 1931. Mas, o que está em jogo, além da exibição dessa violência “escondida”, é, como em os “Os bons companheiros”, ambos os protagonistas mergulham (não submergem, é diferente) nessa vida impulsiva e se deleitam com o poder. É, demasiadamente, humano.



É isso que confere à essa obra um de seus fascínios. Esse filme não apenas quebra a ideia do gênero filmes de gangsteres, como se convencionou mencionar. É a mão do narrador que confere a ele o status de obra de arte.

Como diz Edward Buscombe em “A ideia de gênero no cinema americano”, “a principal justificação do gênero não é a de que permite a diretores meramente competentes fazer bons filmes (embora possamos estar agradecidos por isso), mas a de que permite a bons diretores tornarem-se melhores ainda”.

Scorsese, como sempre, imprime sua mão, para lembrar uma expressão de Walter Benjamin utilizada aqui, provavelmente, de modo indevido, na argila de sua experiência. Sua história é a de ítalo-americanos, mas seu filme é sobre o viver indomável.

Na edição especial em DVD do filme, Thelma Schonmaker, sua montadora, ilustra, em sentido próximo, esse aspecto. Diz ela: “esse foi um daqueles filmes que montamos como um cavalo. Foi tão bem escrito e moldado por Pileggi (autor do livro, “Wiseguy”, que deu origem ao filme e também roteirista da película junto com Scorsese) e Marty (Scorsese), que tinha sua própria energia, sua própria força. Enquanto Marty o criava, já sabíamos que seria incrível. Era muito forte e tinha muito ritmo”.



Força e ritmo. É a síntese dessa linguagem que atravessa todo o filme. A cena dos corpos exibidos em diferentes lugares é guiada pela música; o close em Jimmy Conway (Robert De Niro) no balcão destaca seu contido cinismo. Sim, forma e conteúdo. É impressionante que, hoje, isso pareça, cada vez mais, algo raro.

Basta ver, por exemplo, outras duas sequências icônicas, a da entrada de Henry no Copacabana em uma única tomada usando uma steadicam (novidade na época) e o final frenético do neurótico personagem. Inventividade não é a palavra certa.

“Os bons companheiros”, como grandes obras, foi tão imitado, copiado, citado e, como sempre, na maioria das vezes, das piores formas, que, talvez, jovens cinéfilos acreditem que Tarantino tenha criado o contraponto imagem/trilha sonora.



A clássica cena, “Você me acha engraçado?” em que Joe Pesci e Ray Liotta improvisam só pôde ser realizada exatamente porque forma, conteúdo e ritmo formam um único elemento fílmico.

Inimitável, porque moldado em força e ritmo, a obra prima de Scorsese ainda espanta, encanta e vibra. Como a vida na qual “você pode estar sorrindo e rindo num segundo e [estala os dedos] numa fração de segundo está numa situação em que pode perder a vida”.


Este texto foi publicado em 27/09/2020 no Diário Online

Relivaldo Pinho é autor de, dentre outros livros, Antropologia e filosofia: experiência e estética na literatura e no cinema da Amazônia, ed.ufpa.
Site: Relivaldo Pinho
[email protected]

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Postado por Relivaldo Pinho
7/10/2020 às 16h23

 
Briga de foice no escuro

Lutar sem
conhecer
o
adversário

A peleja,
somos eu
e meu
pensamento

E estamos
conversados...

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Postado por Metáforas do Zé
7/10/2020 às 15h01

 
Alma nua

Lembrei os sonhos tão somente,
Os sonhos de um mundo irreal.
Um mundo habitado pela mente,
Inclemente com a razão ideal.

Qual será o ideal da reminiscência?
Saberias tu narrar a contento?
Ai de ti! A mim, não me cabe,
Não tenho o tal discernimento.

Se o sonho teu é um desalento,
Transtorno à vida, aquela que é tua.
Desnuda-te das vestes fugazes,
Retém em ti a pureza da alma nua.

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
5/10/2020 às 23h41

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