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Segunda-feira, 13/9/2010
Comentários
Eliana de Freitas


Seria fabuloso o Vandré voltar
Seria fabuloso se ele voltasse, abrisse o peito, contasse sua jornada a nós, aos jovens, mas isto é uma fantasia. Algúem que há muito aprendeu a dizer não e ver a morte sem chorar, já era forte o bastante para, quando decepcionado com esta terra, construir a muralha que o separaria do escombro brasileiro pós-ditadura.

[Sobre "Geraldo Vandré, 70 anos"]

por Eliana de Freitas
http://www.elianadefreitas.recantodasletras.com.br
13/9/2010 às
13h40 200.171.248.6
 
Preferi montar a minha editora
Discordo de você, em certas partes. Temas como sem-terras e trabalhadores do campo são interessantes, e acredito que, se o grande público conhecesse a sua narrativa, iria comprar e recomendar. No entanto, o que dita a regra de consumo é a grande mídia, então, se não virou minissérie, nem filme, e o autor não é celebridade ou esteve envolvido em nenhum escândalo, fica difícil o livro ganhar espaço de divulgação, não ganha nem vitrine na livraria que pegou o exemplar consignado. Outra forma de vender é se o mercado educativo adotar, porém, temos a barreira do catedrático se dispor em conhecer autores e obras novas, eles quase não têm tempo ou interesse, é mais fácil ater-se aos cânones. Eu preferi montar a minha editora, não sei como será ter que dividir a atenção entre escrever, produzir, vender e lançar, o tempo dirá!

[Sobre "Confissões de um escritor"]

por Eliana de Freitas
http://www.elianadefreitas.recantodasletras.com.br
13/9/2010 às
13h20 200.171.248.6
 
Uma sociedade alienada
Infelizmente, uma sociedade alienada interessa a todos nós, brasileiros. A nossa sociedade produz reduzidos benefícios gerais, com recursos de todos, mas não para atender a todos, então se estabelece o esquema de acesso. E os esquemas de acesso não são implantados por governo, empresas, são implantados por pessoas, cada cidadão consulta sua base ética e produz, pede ou participa de algum destes esquemas. Há um anseio para conhecer ou participar de algum esquema, em diferentes graus, por diferentes objetivos, mas o anseio é geral. Quando tento fazer parte de um network de alguém só porque tem certo poder, quando uso o dinheiro para comprar conduta, quando concordo em não girar a catraca no ônibus por conhecer o motorista, quando protocolo um processo na alçada de alguém que é amigo, do amigo, do vizinho, reafirmo que há um sistema que aliena e que eu quero fazer parte dele. E embora educação seja muito importante neste processo todo, não é a falta dela que constrói uma sociedade.

[Sobre "A quem interessa uma sociedade alienada?"]

por Eliana de Freitas
http://www.elianadefreitas.recantodasletras.com.br
12/9/2010 às
12h52 189.102.112.253
 
Movimento literário constante
As imagens que marcaram: autor de quadrinhos tratado como popstar e milhares de pessoas consumindo literatura, concordo, são imagens de Bienal. Mas note, o nome já diz: Bienal, movimento a cada dois anos. A educação que transforma o bruto tem que ser diária, cotidiana. A Bienal, sem desmerecê-la, é elitizada, para poucos. Precisamos que saraus, feiras de livros, movimentos literários periféricos sejam incentivados, precisamos que a literatura não tenha apenas palco para estrelas, estas ficam longe da terra. Há que se trabalhar na comunidade em que se vive, juntando a família e amigos para ler uns aos outros, tal qual fazemos para jogos de futebol e último capítulo de novela. Isto, sim, seria impressionante. A Bienal é maravilhosa, mas também, com as verbas e incentivo que tem, não poderia ser diferente. É um evento livreiro que marca a vida, precisamos de movimento literário que componha a vida.

[Sobre "A Bienal do Livro ― diário de bordo"]

por Eliana de Freitas
http://www.elianadefreitas.recantodasletras.com.br
10/9/2010 às
11h48 200.171.248.6
 
Não é tão simples assim
Caro Rafael, querer ser lido é inerente à maioria dos autores, mas atingir este objetivo não é "simples assim". Se você não é um autor conhecido, vai à Bienal para autografar e fica horas sem vender um único livro. Mesmo que você bata altos papos com leitores, troque ideias incríveis, somente um, outro ou mais provavelmente nenhum, comprará o seu livro. A não ser que, além de escritor, você seja bom vendedor. E note que, para chegar lá, no Anhembi, você teve que ter agenda livre, pagar combustível, estacionamento e, se passar o dia, terá que comer. Sem nenhum livro vendido, a verba terá de ter vindo de outra fonte de renda. Outro ponto: se você não está estabelecido por uma editora, não tem ponto de venda na Bienal, nas livrarias ou na Flip. Em Paraty, autores que vendiam seus livros na rua foram repreendidos por policiais. Esses são os fatos que não nos permitem sermos lidos.

[Sobre "Escrevemos para nós mesmos (?)"]

por Eliana de Freitas
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10/9/2010 às
11h08 200.171.248.6
 
Só sei que nada sei
Para que o Cristianismo? Para que o homem exerça a humildade. Somos geniais, descobridores do universo e agora criamos a vida sintética, porém, por não sermos Deus, ou por não sermos verdadeiramente cristãos, como queiram, cada façanha nossa reverte-se em poder e arrogância. Quanto mais conhecimento, mais soberba... Que pequenez! Nós, os pensadores, deveríamos ser os primeiros a admitir que, para os mistérios do universo, para a existência ou não da alma, para a existência ou não de Deus, a resposta correta é: Só sei que nada sei.

[Sobre "Para que o Cristianismo?"]

por Eliana de Freitas
http://www.elianadefreitas.recantodasletras.com.br
7/6/2010 às
09h17 200.171.248.6
 
Amar sempre vale a pena
Amar sempre vale a pena. Aliás, não só a pena, mas a caneta, o lápis, a tecla... O que mais traria tanto sentido a uma bela história, seja contatada ou vivida, do que o amor?

[Sobre "Dos amores possíveis"]

por Eliana de Freitas
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30/3/2010 às
08h52 200.171.248.6
 
A vida é uma só
Estou com o poetinha Vini­cius de Moraes: a vida é uma só, companheiro... Não acredito em reencarnação, esta vida é maravilhosa, o bem e o mal, a natureza, a diversidade, a capacidade da mente; essa grandiosidade engenhosa que é o mundo, ao homem deveria bastar numa única vez. Deveria, ah se não deveria, diria um paizão de todos nós. [São Paulo - SP]

[Sobre "Promoção 7 Vidas"]

por Eliana de Freitas
9/7/2009 às
10h39 200.171.141.204
 
Dawkins é um divino espírito
Eu classifico Richard Dawkins como um delírio, pelo significado 2 do "Aurélio": exaltação do espírito. Estive na Flip, ele é um divino espírito. Richard dividiu conosco sua agonia em ver seu trabalho de divulgação de "A origem das espécies", de Darwin, sabotado. Nos livros didáticos, segundo ele, a palavra "evolução" muitas vezes vem entre parênteses; antes, a disseminação dos conhecimentos científicos era ridicularizada apenas em meios educacionais americanos, hoje, na Europa, já ocorre, não só pela influência americana, mas também pela crescente presença islâmica. Assim, o princípio norteador da biologia é subjugado, dizem que em respeito à fé; eu digo que não, se desrespeitam as evidências e as pessoas que as produzem é em nome do medo e do orgulho... Medo do desconhecido. Orgulho por presumirem-se detentores de verdades absolutas, o que, neste mundo, ninguém tem, detém ou conhece, isso só Deus. E, Deus: o que diria sobre a teoria da evolução? Continuo no site...

[Sobre "A Grande História da Evolução, de Richard Dawkins"]

por Eliana de Freitas
http://www.elianadefreitas.recantodasletras.com.br
8/7/2009 às
17h57 200.171.141.204
 
Scliar me serviu de exemplo
"Não importa quantas pessoas a compartilhem, a ideia não se reduz. Quando escuto sua ideia, ganho conhecimento sem diminuir nada seu." (Thomas Jefferson) Tenho vivido dias de ansiedade e insegurança, são novos trabalhos, concursos, gente nova, então, ensino e me entrego; mas recebo críticas por dar-me tão gratuitamente. Além das por inspirar-me em filmes, livros; assim foi o "Dois dedos de prosa"; O BOPE lá em casa, e até mesmo esse para o Digestivo, cujo título peguei do texto do Scliar. Este "Estranho incidente literário" trouxe-me várias respostas. Dizem que melhor seria aos escritores terem perguntas, mas me fez bem relaxar após tanta busca. Esperar ficar contentinha e, não, feliz, diminui qualquer ansiedade. Ver a sabedoria do Moacyr ao lidar com essa peleja que o envolveu, me serve de exemplo. E, se a mídia só acende holofotes para os maus acontecimentos, é até bom passar despercebida, escrevendo dia após dia. Só me falta um cachimbo para celebrar esta paz...

[Sobre "Um estranho incidente literário"]

por Eliana de Freitas
http://www.elianadefreitas.recantodasletras.com.br
19/6/2009 às
16h04 200.171.141.235
 
Pela desarmonia do mundo
O melhor lugar para escrever? Onde a inspiração venha, seja num bordel, com todo o estresse dum local impróprio à nossa imagem pública; no escritório, mesmo naquele dia lotado de prazos finais; em casa, com aquele monte de parentes cobrando a nossa atenção ou o feijão já queimando... O melhor lugar para se escrever é onde a vontade de escrever chega. Pelo menos para mim, ao iniciar um texto. Depois, ah... o depois. O engajamento que levará a cabo um texto depende muito da nossa capacidade de imposição de limites, isso para aqueles que não são escritores profissionais e gastam os recursos próprios e de terceiros para manter essa mania. Sim, porque, enquanto escrever não trouxer retorno financeiro, para os que nos cercam não passa de uma mania. Mania de escrever para participar de um concurso, mania de escrever para escancarar o que todos sabem, mania de escrever só para dar vida a palavras que não querem ser esquecidas, mania de se entregar até que o mundo desarmônico deixe de nos tocar.

[Sobre "As pessoas, os escritores"]

por Eliana de Freitas
http://www.elianadefreitas.recantodasletras.com.br
11/5/2009 às
19h06 200.171.141.99
 
De tão humana, uma obra divina
Chico é intemporal e universal. A beleza lhe era cativa, e ele a colocou em tudo o que fez. Não sei se por obra de Deus ou da natureza, os olhos de Chico viam a essência das coisas: a mulher além da emancipação, o homem além do machismo, a puta além da pornografia, o mundo além dos interesses. Na essência tudo é simples, verdadeiro e harmonioso quer seja aqui, ou lá, na vida do pobre, do bacana, do amado, do largado, tudo se iguala. Acredito que foram a visão e a consciência da importância da beleza, e também que a determinação de ser e se sentir livre, independente do redor, que culminaram na criação perfeita de sua obra, a qual cada vez que estudo me pergunto: como sempre senti e não pude exprimir isso? Chico Buarque sabe falar por mim, até hoje, sobre as coisas que sei; e até sobre coisas que ainda não sei...

[Sobre "Chico Buarque falou por nós"]

por Eliana de Freitas
http://www.elianadefreitas.recantodasletras.com.br
20/2/2009 às
13h36 201.0.94.217
 
Atenção e desatenção
A vaidosa que namora troca a atenção de todos os homens pela desatenção de um só. [São Paulo - SP]

[Sobre "Promoção Mario Quintana"]

por Eliana de Freitas
18/4/2008 às
23h33 200.158.237.39
 
Obrigado, mestre Quintana
Mesmo que eu percorra todos os teus caminhos, mesmo que eu ache todos os teus sonhos que perderam-se no tempo, ainda me faltará a elegância e a sinceridade para comigo e com os outros, que acredito, poeta, você as teve em abundância, além das palavras que a ti foram cativas. Tudo isto fez com que sua obra seja luz, esperança e verdade, muito mais do que qualquer outra possa ser.

[Sobre "Frases de Mario Quintana"]

por Eliana de Freitas
http://www.elianadefreitas.recantodasletras.com.br
18/4/2008 às
17h34 200.158.237.39
 
Autor ou obra: quem é maior?
Amei o texto, mas o título está aquém da narração, você foi muito além, e foi corajoso. Estive na Flap no ano passado e saí exatamente com esta impressão: tem muita gente que, por trabalhar com literatura, se confunde com Deus. Eu concordo que quando criamos personagens, situações e escolhemos o final para cada história, nos tornamos deuses. Mas não nos enganemos: é só uma história, um livro, assim como disse Claude Monet, ao ser interrogado sobre uma mulher que ele pintou ser azul: "Meu caro, você é que é louco, isto não é uma mulher, é só uma pintura." O livro, a literatura, assim como outras expressões artísticas, têm o poder de agir e até interferir na vida dos seres, mas lembremo-nos: isso depende do leitor e quem fez essa interseção foi a obra, e não o autor.

[Sobre "A literatura e seus efeitos"]

por Eliana de Freitas
http://www.elianadefreitas.recantodasletras.com.br
28/3/2008 às
20h09 200.158.237.79
 
Julio Daio Borges
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